Algumas pessoas me perguntam como eu sei agir em situações tristes e difíceis nos hospitais, e se surpreendem quando eu digo “não sei”. Pois as vezes nos deparamos com situações que não tem como pensar rápido, não tem o que dizer, apenas viver aquele momento junto a pessoa.

Apesar dos quase seis anos como voluntária em hospitais, presenciando situações parecidas, cada ação é diferente, cada dor e alegria  compartilhada  é diferente, cada momento é único e me faz refletir de formas diferentes.

Mês passado, por exemplo, me deparei com uma situação que já havia presenciado outras vezes, mas  essa,  me deixou desestabilizada, pois cometi uma gafe (sem querer) porém, que deveria estar preparada, pois a ala da maternidade, nem sempre, significa vida.

Andando pelo corredor do Hosp. Mun. SJP, vejo um rapaz sentado em frente a porta da maternidade, suponho então, que seja o pai. Me aproximei e falei em tom extremamente animada “NASCEU?”, ele com o olhar prestes a desabar em lágrimas respondeu “não, faleceu”. Naquele momento parecia que meu mundo estava desabando também. Sentei ao lado dele e o abracei. Era um momento que palavra nenhuma iria confortar, talvez, nem meu abraço, mas era o que eu poderia oferecer a ele naquele momento de dor.

Me despedi e segui meu caminho pelo corredor, pensando, refletindo, questionando. Enquanto ele, chorava.

É  nesses momentos que me pergunto ” e se fosse comigo?”. É nesses momentos que percebo que cada gesto de carinho, por mínimo que pareça, faz sim diferença.

O sentimento de inutilidade que carrego comigo nessas situações é inevitável, embora, não temos culpa e não temos como impedir esses acontecimentos. Mas logo que passa, o sentimento de esperança brota novamente,  e me faz entender o porque estamos lá. Seja para momentos de vida, ou de morte, nós estamos lá para acolher. Sorrir junto, abraçar junto, sentir  junto.

Já ouvi dizer que não devemos carregar a dor dos outros, se não ficamos loucos. Mas, Ele me ensinou que devemos levar as cargas um dos outros. E carregar a dor, também significa amor. Afinal, foi isso que Ele fez por nós. Carregou uma dor que não era dEle, por amor.

Letícia Witzki – Palhaça Pipoca