Dizer adeus não é fácil, ainda mais, quando esse adeus é a morte.

Sim, sabemos que um dia ela vai chegar, mas não estamos preparados para ela.

Dizer adeus as crianças que voltam a suas famílias ou são adotadas, é um tanto doloroso, confesso. Pois nos apegamos muito. Porém, é de uma felicidade sem igual saber que eles estão bem e estão felizes. O apertinho no coração fica, mas sabemos que é por uma causa maior. Uma causa feliz.

Em 2016 demos adeus a pequena “Beatriz”. Apenas 09 anos e um câncer terrível tomou conta.

Quando fomos comunicados pelo lar, que a pequena havia sido diagnosticada, foi difícil.

Uma pequena tão sorridente, um pouco tímida, mas sempre participativa em nossas ações .

Sentir a dor de um sofrimento que não é nosso, não é de nossos familiares, nos mostrou mais ainda  a importância que essas crianças tem em nossa vida.

Em nossa primeira visita ao hospital que ela estava, fomos recebidos com aquele sorriso tímido, brincamos e conversamos.

Já na segunda visita, fui sozinha. Entrei no quarto e ela fingiu estar dormindo. Não queria receber ninguém,  e era compreensível.  Fui embora.

Umas duas semanas depois, recebo a mensagem do seu falecimento. Apesar de estar ciente que essa mensagem poderia chegar a qualquer momento, custou acreditar.

Foi então, que reunimos o grupo em um velório. Nunca imaginei passar por isso.

Nosso adeus foi dado com muita dor. Nesse dia descobri que palhaços também choram. Pois não foi apenas minha versão humana que sentiu, minha Pipoca, chorou.

Essa pequena marcou nossa vida, marcou a história do Semeando Amor e nos deu o privilegio de conviver por dois anos.

Como diria a música do PG “seu sorriso em minha memória estará sempre guardado”.

* O nome da criança é fictício.

Letícia Witzki – Palhaça Pipoca